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setembro 24, 2004
Sobre o post do Paulo Querido
Não posso imputar directamente a acusação que fiz ao Paulo Querido. Tudo se passou num comentário de um blog, num clima de ironia.
Mas sou levado, hoje, finalmente, a concordar com essa ironia.
Essa notícia tem séculos, em termos cybernéticos, basta fazer uma pesquisa pelo google e encontram-na. basta ir ao U2only e ver qtos. dias tem.
Aquela notícia, parece-me, que foi lançada pela universal portuguesa para eles publicarem. Ou eles lêem muitos blogs.
Outra coisa que me choca nesse jornalm além do editorial do Luís Delgado [apesar de tudo os editorialistas são o que há de inovador naquele jornal, porque expõem as suas ideias, e só], é que as notícias traduzidas estão cheias de erros, induzem os leitores em erro, para o lado de quem? Quem favorecem? O nosso governo. tentem comparar um dia as notícias que lá por aparecem cuja fonte por ex. é a CNN e depois a tradução. Sobretudo no que toca a Kerry...
Há outra coisa que me irrita solenemente: aquele tipo de jornalismo. Quem quer ler notícias do dia, compra o correio da manhã. Aquilo é autêntico copy paste de outros jornais e agências noticiosas.
Para mim, jornalismo, é fornecer a notícia, dar a sua opinião e criticar. Nada disso acontece por ali. Por isso, se vê o espírito crítico da nossa população... Não só por causa do DD, mas porque o jornal mais lido, infelizmente continua ser o Correio da Manhã.
Isto também a propósito de um comentário que publiquei na "lua" acerca da libertação de Aung San Suu Kyi, que a princípio pensei que fosse da autoria dela, mas é do Público. [já pedi as devidas desculpas]
O que está naquela notícia é péssimo jornalismo! É relato de comentador de futebol. agora é que descobriram que bono, michael stype, etc se envolveram na libertação da prémio nobel? E como se eles fossem os únicos responsáveis? e as pessoas e as organizações que estão por trás? as histórias humanas? o tempo dado com carinho, sem pedir nada em troca? isso não é relatado!
Quem conhece os U2, e sobretudo bono, sabe que ele anda envolvido sobretudo em duas causas: a erradicação da fome e da SIDA em Àfrica. muitas vezes é um frontman de muitas organizações como a Amnistia internacional e o greenpepeace.
E que a canção "Walk on" originariamente não tinha sido escrita para a nobel da paz. essa canção foi o resultado da mistura de duas que eles tinham em estúdio. e a pedido da amnistia internacional, adoptaram-na como hino para fazer lembrar ao mundo que a democracia não é cumprida!
lembre-se que essa canção foi usada para levantar o moral dos americanos após o 11/9. irónico... o país que apoia a ditadura da birmânia...
foi pela pressão da AI que este banner surgiu no site oficial dos U2:

e para quem não sabe está no:
E foi por pressão de cartas, de mails, de membros da AI, e de tantos cidadãos anónimos, que o governo ditatorial da birmânia mudou de posição.
Onde está isso nessa notícia?
Onde está que foi uma pessoa que assina com nome de mamífero que passou 4 semanas no chile no STJ chileno, sujeito às pressões das máfias todas, que conseguiu reabrir os processos prescritos contra Pinochet? Mas quem ganhou a medalha, e bem, por isso, foi bono...
Leiam o texto sobre a violação dos direitos humanos no chile no relatório da amnistia internacional de 2003, e talvez cheguem a uma conclusão...
Se a nossa imprensa desse a notícia, e falasse destes heróis sem cara, que preferem manter o anonimato, depois tirassem as devidas conclusões... talvez alguns intelectuais por aí não chamassem a certas pessoas certos nomes de doenças do foro psiquiatrico [segundo eles], que se pusesem a mão na consciencia veriam quem é o mais maluco...
já agora, porque é que ninguém comenta posts destes?
Publicado por Golfinho às setembro 24, 2004 08:54 AM
Comentários
Eu comento, eu comento! :-)
Resume-se a isto: os países ocidentais têm a mania que promovem o humanismo e que os outros povos, nomeadamente os asiáticos, apesar do seu sentido colectivo, não são capazes de caridade, de democracia, enfim, de seguir "os nossos valores". Que eles não sigam "os nossos valores" "wholesale" não admira nada; admirado ficava eu se os seguissem.
Agora que não sejam capazes de democracia, de liberdade, de ter sociedades justas, basta olhar para as nossas próprias sociedades e ver o que se passa debaixo da superfície.
Mas o principal que devo dizer é que neste "ocidental-centrismo" de que sofremos, que se pode resumir a não mais do que um enorme complexo de superioridade, ignoramos todo o mundo. Tudo o que não diz respeito a autocarros que caíram de uma ravina abaixo matando 12 crianças, um comboio cheio de indianos que bateu contra um de mercadorias e matou 120 simplesmente não entra no nosso quotidiano.
Nós, Europeus, Americanos, etc., vivemos no nosso próprio casulo que contém apenas a nossa ética, as nossas experiências, os nossos programas de TV, de cinema, música, etc. Não damos espaço aos outros povos para se afirmarem.
É por isso que regimes como o de Myanmar (ex-Birmânia) conseguem sobreviver. Bem, por isso e porque são um bom chamariz para empresas que ali investem a preço de saldo, financiando os ditos regimes. Com a acção das grandes empresas e a nossa aquiescencia ditaduras destas irão sempre continuar.
http://ditocujo.weblog.com.pt/
Publicado por: Dito Cujo em setembro 24, 2004 10:43 AM